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Historias Sem Sentido I by ~magic-reading:iconmagic-reading:



“Eu lembro a cara que você fazia...
Será que lembro que eu não resistia?”


Olhava bem nos olhos dele e parecia que nada tinha mudado. Ele correspondia a seu olhar da mesma forma como o havia correspondido na primeira vez que haviam se visto. Eram apenas crianças na época, querendo brincar e se divertir. Os maiores problemas se resumiam ao balanço ocupado ou a perda de algum brinquedo. Ele sempre estivera lá para esperar na fila do balanço com ela, da mesma forma com que sempre a ajudava a procurar o que quer que ela tenha perdido. E ela fazia o mesmo por ele. Eram inseparáveis. Estavam juntos para se envergonhar quando as famílias insinuavam qualquer ligação mais forte que amizade entre eles. Também nunca abandonavam o outro quando este sofria alguma humilhação na escola. A primeira vez que se separaram de verdade não foi por opção de nenhum deles. O pai dele arranjara um emprego melhor em outra cidade; ele e a família iriam se mudar, fim da história.
Pela primeira vez na vida, ela sentiu que a palavra saudade não era suficiente para expressar o que estava sentindo. Saudade expressava a falta que ela sentia quando alguém próximo viajava. Ou quando aquela tia-avó de segundo grau que ela havia visto uma vez na vida faleceu. Isto que ela estava sentindo não era saudade. Era mais do que isso. Bem mais. Um sentimento de perda tão grande que ela sentia como se tivesse perdido uma parte de si mesma.
Foram anos difíceis sem ele. As humilhações escolares se tornaram cada vez mais freqüentes e insuportáveis. As insinuações familiares não cessaram, e pior, pareciam se intensificar. Mas ela conseguiu suportar tudo isso, arranjou novos amigos e depois de um tempo, até conseguiu se convencer de que já o havia esquecido.
A certeza de que não havia, e talvez nunca conseguiria, esquecê-lo veio da última vez que eles se encontraram. A mera lembrança do acontecido lhe causou um desconforto tão grande que já não conseguia mais encará-lo. Teve que olhar para o chão, enquanto imagens do fatídico dia apareciam em sua mente. A garota loira sentada no colo dele. O jeito de falar, de vestir, de agir do típico garoto popular. Depois a confirmação: ele havia se tornado um deles; não era mais o mesmo.
Aquela conversa de quem algum dia teve muito o que dizer, mas que diante das circunstâncias, não conseguia nada além de uma conversa desconfortável e bem diferente da que estavam acostumados. Não pareciam dois melhores amigos que haviam ansiado se ver por tanto tempo. Não pareciam nem amigos. Pareciam primos distantes, fazendo perguntas por educação e conversando apenas por ordem das mães. E como qualquer conversa desse tipo, não durou nem cinco minutos. Mas que foram suficientes para ela perceber que, de novo, tinha idealizado tudo errado. E também para confirmar as insinuações familiares.
É, foi justo naquele dia que ela percebeu que ele não tinha sido apenas seu primeiro melhor amigo... Tinha sido seu primeiro – e único – amor. E por isso ela tinha certeza que ele teria sempre um lugar especial em sua memória. Mesmo que ele tivesse mudado. Mesmo que ele tivesse se transformado em tudo aquilo que ela mais desprezava.
Lembrando de tudo isso, ela se perguntava de que adiantava ela estar aqui com ele nesse momento. Tinha se iludido de novo. Ao longo dos anos, tinha alimentado uma imagem dele que não era real. Tinha lhe dado características baseadas em sua infância ao lado dele, mas que não podiam caracterizar o garoto a sua frente. Ele não era o garoto com quem ela havia sonhado. Não era aquele que ela esperava que a aparasse quando ela caísse. Era apenas mais um garoto popular, daqueles que namoram loirinhas populares e fúteis e as traem com outras loiras, menos populares e mais fúteis. Morenas como ela não tinham nem chance na vida de um garoto como ele.
Ao realizar isso, viu que já era a hora de ir embora. Sem olhar em seus olhos nem por um segundo – sabia que se olhasse não conseguiria partir – virou-se e já estaria na porta se algo não a tivesse impedido... Uma mão forte segurando seu pulso.  Mudado ou não, parecia que ele ainda queria ter ela ao seu lado. Talvez ainda houvesse esperança, talvez eles ainda pudessem fazer tudo ser como antes.
Pela cara dele parecia que sim. Ele estava com aquela cara. Aquela mesma cara que ele sempre fazia quando queria algo dela. Quando queria convencê-la de fazer ou dizer algo.  Quando sempre conseguia o que queria. Era incrível como aquele sorriso e aquele olhar tinham poder sobre ela.  E quando ela olhou em seus olhos novamente, sabia que não haveria mais volta. Mergulhou neles tão profundamente, que mesmo antes dele falar, sabia que concordaria com qualquer coisa.
“Venha comigo. Deixa eu te provar que ainda sou o mesmo de sempre.”
Ele falou baixou, era quase um sussurro, e conseguiu arrepiar todos os pelos da nuca da menina. Estava segurando a mão dela, enquanto a puxava para a pista de dança. Estava tocando uma música lenta, e eles eram os únicos que restavam ali.  Ela o seguiu sem parar para pensar nas conseqüências. Não sabia se eles levariam isso adiante, se namorariam, casariam e formariam uma família. Não sabia se eles tornariam a ser somente melhores amigos de novo. Não sabia se ele só estava a iludindo novamente. Não sabia se isso só a iria machucar mais. E isso não importava. Nada importava. Mesmo que desse tudo errado depois. Mesmo que eles não vivessem felizes para sempre. Aquele momento era deles, e somente deles. Eles iam fazer tudo aquilo valer a pena, iam fazer tudo voltar a ser como antes, nem que fosse só por uma noite.
©2007-2010 ~magic-reading
:iconmagic-reading:

Author's Comments

[ele não aceita acentos no título o.o']

Anh, eu sempre me confundo com essas milhares de categorias do DA o.o' Espero que tenha algo a ver com a história :~

É, ficou um tanto sem sentido, exagerada e repetitiva. Também né, foi toda baseada na ficção e nessa minha imaginação fértil. O final ficou ruim, já que a minha criatividade já tinha se extraviado. Mas espero que alguém leia/goste.

E claro que algo tão chatinho assim só podia ser criado por mim, a garota-de-férias-entendiada-atraída-pela-página-do-word. xD

Comments


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:iconbonguardo:
OH MY GOD!

*bruna chora desesperadamente*



É PERFEITOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO OOOOOOOOOOOOOOOOOOO!


*bruna continua chorando*

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July 19, 2007
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